Não o sei escrever
Sempre tive um claro “problema de expressão”. As emoções em sobressalto, as ideias num rebuliço, as sensações num turbilhão… mas as palavras ficam retidas sem que um som se desprenda. Mais fácil é soltar a caneta.
Não sei escrever…
Se soubesse,
Mandava-te um beijo
Em forma de poema;
Mandava-te um abraço
Em forma de canção;
E dava-te o mundo
Em palavras escritas!
Mas não sei escrever…
E mesmo sem palavras
Mando-te um beijo
Em forma de olhar;
Mando-te um abraço
Em forma de sorriso;
E dou-te o mundo
Em cada gesto a teu lado.
Amo-te…
Mas não o sei escrever.
(escrito para a Joana em 30/08/2004)
Melhor futuro
No final do curso quiseram fazer um livro de turma. Sugeriram que se escrevesse algo para recordar, algo sobre nós ou sobre as perspectivas de futuro. “Escrever???” pensei…
Se soubesse escrever, assim faria.
E, dessa forma, exprimiria
Estas ideias que guardo em mim.
Mas não o sei. E mais não posso.
Escrevo apenas o que ouço,
E o que posso, exprimo assim.
Mantenho o sonho: ser pintor.
Pintar a vida e o amor,
As coisas simples e as distintas.
Sentir o rasgo de um artista.
Pintar até perder de vista
Mas com palavras, não com tintas.
Mas pouco vale este alarido,
Criar desculpas sem sentido
Por tanta palavra não dita.
Concluo então o meu discurso:
Espero ter com este curso
Melhor futuro que na escrita.
Quais palavras?
Palavras soltas
Perdidas no tempo,
Pairando no vento
Dão voltas e voltas
Em risos libertos.
E sem dar por nada,
De boca fechada
E olhos abertos,
Contam uma história
Sem fazer um som.
Sem perder o dom
De criar memória.
Memórias bizarras
Que riem por dentro…
Pairando no vento,
Quais essas palavras?
O meu purgatório
Preguiça é pecado. Esta preguiça de escrever apodera-se de mim precipitando-me contra o inferno de Dante. Tenho de me livrar deste mal.
Este é o meu purgatório, contra a preguiça de escrever.